Relação Brasil Alemanha também é tema de dabete em Munique


Ao mesmo tempo em que o presidente alemão Christian Wulff era recebido pela presidente Dilma Rousseff em Brasilía, em Munique, o presidente da Sociedade Brasil-Alemanha e ex-embaixador da Alemanha no Brasil, Dr. Uwe Kästner, fazia uma palestra comemorativa dos 50 anos da Sociedade Brasil-Alemanha no palácio do Ministério de Economia da Bavaria. O tema “Brasil no governo de Dilma Rousseff” atraiu representantes de grandes empresas alemãs que já investem no país. Antes de sua apresentação, Kästner conversou como Terra entrevista exclusiva.

Luciano Alarcón: Há algumas semanas, em entrevista ao jornal Folha de S. Paulo, um dos símbolos da oposição ao presidente Lula da Silva, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, elogiou a presidente Dilma Rousseff. Como o Sr. Avalia essa homogeinização da política brasileira.

Dr. Uwe Kästner: Na campanha presidencial de 2010, o candidato da oposição José Serra relembrou as mudanças realizadas por Fernando Henrique Cardoso, ao mesmo que afirmava que haveria como pensar em um governo formado pela oposição iria abandonar os avanços sociais realizados por Luis Inácio Lula da Silva, como o Bolsa Família, por exemplo. É aí que vive o ponto de convergência dos partidos políticos no país. No Brasil, o quadro político brasileiro é favorável para todos [os partidos] favorecidos pela economia.

As realizações nos dois mandatos de Fernando Henrique Cardoso e os compromissos sociais, e não socialistas, de Lula da Silva. Os fundamentos da política brasileiras são sólidos, embora haja uma polimização ao debater assuntos internos como a corrupção por exemplo.

A abertura economica do país foi importante. Em 2008, quando a crise financeira mundial levou Lehman Brothers e algumas instituições financeiras alemãs a falência, o Brasil tinha seu Plano de Aceleração do Crescimento pronto. Por isso também, no país não ocorreram falência parecidas como nos Estados Unidos.

LA: Independente de quem seja o presidente, o Brasil manterá seu poder político e econômico no mundo?

UK: O Brasil sabe que é um peso pesado na política do mundo. Caso haja uma mudança no poder político do país causará problemas, porém não viria prejudicar o rumo do país. O Brasil é como um grande navio, não se pode mudar o rumo de um grande navio tão facilmente e rapidamente.

LA: O Brasil deve cortar cerca de 50 bilhões de reais no Orçamento de 2011. Já o forte crescimento da economía do país – que segundo previsões, devem empurrar o aumento do salário mínimo aos 15%, pressionando para cima os preços. O senhor acredita que o país esta economicamente diversificado e flexível?

UK: Aqui entramos em um debate ligado a outros fatores. Nós temos observado uma forte valirização do real frente ao dólar, o que gera dois efeitos. Por um lado facilita as importações e o turismo brasileiro. Por outro lado, isso dificulta as exportações das comodities, além é claro, de prejudicar a indústria nacional com a entrada de produtos chineses de baixos preços. É aí que o governo e a oposição são da mesma opinião. Ou seja, são contras uma interveção no sentido de desvalorizar ou valorizar a moeda brasileira.

A economia brasileira já superou a espanhola em volume. Apesar de ainda não haver datos oficiais em relação ao ano de 2010, eu estou certo que o Brasil em breve deve ultrapassar a economia italiana.

Eu não vejo uma pressão inflacionário muito grande, eu acredito que se manterá um equilíbrio econômico no país, pois pensar em uma alta extrema da inflação é mera especulação. Isso pode ser visto, afinal o Banco Central já reagiu aumentado a taxa Selic.

LA: Então, resta ao Brasil torce para que os preços das comodities aumentem…

UW: Sim.

LA: No âmbito internacional, o presidente Barack Obama quebrou um protocolo não declarado mantido há anos entre o Brasil e os Estados Unidos, quando foi em visita oficial ao Brasil antes a Dilma Rousseff fosse aos Estados Unidos. Na ocasião Obama disse que não podia ignorar o crescimento brasileiro. Dilma por sua vez aproveitou a oportunidade para defender uma vaga do Brasil no Conselho de Segurança da ONU.

UK: A visita de Barack Obama ao Brasil foi pode ser uma “anti-rotina” e foi o reconhecimento americano ao Brasil como um “peso pesado” na política internacional.

Assim como o Brasil, a Alemanha, Japão querem também uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU. Apenas como exemplo o Japão e a Alemanha são o segundo e terceiro maiores contribuintes da ONU respectivamente. O fator econômico é um argumento.

Em cada região há oposições sobre os candidatos, como na Améria Latina por exemplo, o México não quer o Brasil como representante da região. Já a Europa conta com a Inglaterra e a França. Caso a Alemanha consiga um lugar permanente na Organização, levantariam-se também Espanha e Itália reinvidicando o seu lugar. A Alemanha vem desde de 1992 empenhando-se para ser um membro permanente no Conselho de Seguranção da ONU. É um processo logo.

LA: Na sua opinião, o que falta ao Brasil para ser reconhecido como potencial mundial, tanto política como econômica?

UK: Nos anos 60 o presidente francês General de Gaule fez uma visita ao Brasil e em um determinado momento ele disse que, o Brasil não é um país sério. No minuto depois ele quis se retratar, porém isso foi marcado para a história. O jeitinho brasileiro ainda é um tabu.

Em comparação como período em que estive servindo no país representando a Alemanha, a política cambial operava com uma margem mínima. Hoje o Brasil já é até mesmo credor dos Estados Unidos que atualmente tem uma dívida enorme.

Dilma Rousseff tem um novo jeito de governar, e segundo ouvi falar,ela se prepara bem para seus despachos com os ministros e que inclusive carrega consigo um notebook com suas informações.

Sobre Redação Europa
Luciano Alarcón, é jornalista formado pelo Centro Universitário de Araraquara, foi jornalista e Webmaster da Revista AméricaEconomía em Santiago do Chile, correspondente para o site www.Terra.com e freela para Folha de S. Paulo, entre outros meios na América Latina. Atualmente estuda Superior de Política de Munique e apresenta o programa de Radio "Brasilien in Focus" na Radio Lora FM de Munique. RedaçãoEuropa é a sua redação jornalística direto da Europa. Com notícias atualizadas sob o ponto de vista do jornalismo brasileiro. Porque o diferencial também é notícia, através do RedaçãoEuropa você terá acesso a matérias elaboradas e que as grandes agências não cobrem. Leia nossas matérias, retwitte, comente e informe-se. Um grande abraço sua Redação na Europa.

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